15º CBA – CONGRESSO BRASILEIRO DO ALGODÃO

Equipe da Associação acompanharam plenárias, hubs técnicos, minicursos e workshops que reuniram especialistas e profissionais de 19 países em Belo Horizonte.

Equipe da AMAPA – Associação Maranhense dos Produtores de Algodão participaram, de 22 a 24 de setembro, do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado na Expominas, em Belo Horizonte (MG). Durante os três dias de programação, a equipe acompanhou plenárias, hubs técnicos, minicursos e workshops, ampliando o contato com pesquisas, tecnologias, estratégias de manejo e discussões que estão no centro da evolução da cotonicultura brasileira.

Promovido pela ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o congresso teve como tema “Algodão brasileiro, fibra natural: uma jornada com propósito, qualidade e transparência” e reuniu produtores, pesquisadores, técnicos, empresas, lideranças e representantes da cadeia produtiva do Brasil e do exterior.

A dimensão do evento foi expressiva: 4.111 participantes, sendo 2.768 congressistas, representantes de 19 países e 22 estados brasileiros. A programação contou ainda com 98 palestrantes, 339 trabalhos científicos, 72 patrocinadores, 16 hubs temáticos e cinco plenárias.

Sustentabilidade, mercado e os novos desafios do algodão

A abertura do congresso reuniu lideranças do setor e representantes do governo e da pesquisa. Entre os participantes estiveram o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon.

Na abertura, o presidente da ABRAPA, Gustavo Piccoli, destacou a relação do tema do congresso com discussões globais envolvendo sustentabilidade, consumo, fibras sintéticas e microplásticos. A programação também contou com a participação do economista Ricardo Amorim, que apresentou uma análise sobre o cenário econômico e geopolítico mundial e as perspectivas para o Brasil.

Para a AMAPA, acompanhar essas discussões é importante para compreender não apenas os desafios dentro das propriedades, mas também os fatores econômicos, ambientais e mercadológicos que influenciam o futuro da cadeia do algodão.

Manejo e produtividade estiveram entre os principais temas

Nos hubs técnicos do primeiro dia, especialistas abordaram questões diretamente relacionadas à realidade do campo, como o manejo do bicudo também no período de entressafra, a resistência de plantas daninhas nos sistemas de produção de soja e algodão, a fisiologia do algodoeiro em condições de estresse e o papel da irrigação na ampliação de áreas e na rentabilidade.

Também foram discutidas as expectativas relacionadas a novas cultivares e aos diferentes sistemas de produção como estratégias para elevar a produtividade.

No segundo dia, a gestão de nutrientes ganhou destaque. O pesquisador Álvaro Vilela de Resende, da Embrapa Milho e Sorgo, ressaltou a importância de analisar o sistema produtivo como um todo para aumentar a eficiência da adubação.

A programação avançou ainda para temas relacionados ao manejo de lagartas, pragas sugadoras em cenários de calor e estiagem e controle preventivo de doenças foliares, reforçando a importância do monitoramento e da adoção antecipada de estratégias de manejo.

Dados reforçam a importância do monitoramento de doenças

Um dos pontos de atenção do terceiro dia foi a discussão sobre mancha-alvo e ramulária, duas doenças que apresentam impacto direto sobre o desempenho das lavouras.

De acordo com os dados apresentados durante o congresso, a ocorrência de ramulária aumentou de 42,1% para 52,3% na última safra. Uma análise de mais de 160 experimentos realizados ao longo de oito anos no Cerrado apontou ainda uma redução de 4,1% na produtividade para cada 10% de severidade da doença.

A mancha-alvo também apresentou crescimento, passando de 25% para 32,4%.

Diante desse cenário, os pesquisadores destacaram a importância da utilização de dados históricos, monitoramento das lavouras e conhecimento das condições regionais para antecipar riscos e tornar as estratégias de manejo mais precisas.

Tecnologia, bioinsumos e agricultura digital

A programação do congresso também mostrou que o avanço da cotonicultura passa cada vez mais pela integração entre conhecimento técnico, tecnologia e dados.

Entre os assuntos debatidos estiveram o protagonismo brasileiro no desenvolvimento e utilização de bioinsumos, agricultura de precisão, ferramentas digitais, aprendizado de máquina, aplicação de insumos em taxa variável e tecnologia de aplicação.

Os participantes também acompanharam discussões sobre certificação, rastreabilidade, qualidade da pluma e controle de contaminantes durante o beneficiamento, além das relações entre a fibra natural, microplásticos e reciclagem.

Na programação de minicursos e workshops, foram aprofundados conhecimentos sobre manejo fitossanitário na entressafra, vazio sanitário, restos culturais, plantas daninhas e nematoides, além de qualidade e inovação em bioinsumos, incluindo novas estratégias para o controle do bicudo.

Também foram abordadas a calibração de equipamentos e aplicação de produtos biológicos, agricultura de precisão e digital e a gestão de riscos ambientais, sociais e estratégicos na produção de algodão.

Novas cultivares são apresentadas durante o congresso

Entre os lançamentos realizados durante o evento, a Embrapa, em parceria com a Lyntera, apresentou as cultivares BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF.

As novas cultivares reúnem características relacionadas à resistência múltipla às principais doenças e a nematoides, além de tecnologias voltadas à resistência a lagartas e à tolerância a herbicidas.

A apresentação reforçou a importância da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico para disponibilizar aos produtores novas ferramentas que contribuam para o manejo e para a eficiência dos sistemas produtivos.

Liderança também entra na pauta

Além dos aspectos técnicos e tecnológicos, o congresso dedicou espaço à gestão e ao desenvolvimento de lideranças.

Em um cenário marcado por margens mais apertadas, desafios climáticos e necessidade constante de tomada de decisão, a liderança foi apresentada como um fator relevante para a gestão das propriedades e para a condução das equipes.

A programação também contou com debates sobre as perspectivas do algodão brasileiro no mercado global para a safra 2026/27, planejamento e gestão da produção e estratégias para fortalecer a presença da fibra brasileira no mercado internacional.

Ao acompanhar integralmente a programação do 15º CBA, a equipe da AMAPA teve acesso a uma visão ampla sobre os principais desafios, pesquisas e soluções que estão sendo discutidos para a cotonicultura brasileira.

Para Leonardo Soares, Analista Administrativo da AMAPA, a participação em eventos técnicos desse porte contribui para aproximar a associação das novas tecnologias e conhecimentos que podem ser aplicados à realidade dos produtores maranhenses.

“Participar de um congresso como o CBA é uma oportunidade de acompanhar de perto o que existe de mais atual sendo discutido na cotonicultura. São conhecimentos que passam pelo manejo de pragas e doenças, novas cultivares, bioinsumos, tecnologia, gestão e sustentabilidade. A AMAPA busca justamente estar conectada a essas discussões para ampliar seu conhecimento, fortalecer parcerias e trazer informações que possam contribuir com o desenvolvimento da produção de algodão no Maranhão.”

No cerrado maranhense a AMAPA veste o branco do nosso algodão!