DE “SEQUEIRO” E RASTREÁVEL

DE “SEQUEIRO” E RASTREÁVEL

Algodão brasileiro dá exemplo de sustentabilidade no uso racional da água em evento virtual da cadeia produtiva da moda.

Resultados de um pensamento sustentável, que vem se fortalecendo nos últimos 18 dos seus 20 anos, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) falou nesta sexta-feira (27) sobre rastreabilidade, Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e Sou de Algodão no webinar A Água na Moda. O evento virtual reuniu, em média, 250 pessoas online por painel para discutir o uso sustentável dos recursos hídricos na cadeia produtiva têxtil. Cotonicultores, representantes da indústria, do comércio, do terceiro setor e formadores de opinião participaram das discussões e puderam conhecer mais sobre a produção da principal matéria-prima da moda, e as práticas que fazem do Brasil o país campeão em sustentabilidade certificada na cotonicultura. Na oportunidade, também mostrou o recém lançado 3º Manifesto Sou de Algodão, que tem como tema “o movimento que cultiva a moda responsável do Brasil”.

O evento foi promovido pelo movimento Ecoera, liderado pela especialista em sustentabilidade Chiara Gadaleta, em parceria com as empresas Guardiãs da Água, que engajam a iniciativa A Moda pela Água. Inicialmente, ele estava previsto para acontecer presencialmente, no último dia 20, em São Paulo. A mudança de formato foi a solução encontrada para a realização, mesmo em meio ao isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavirus. “Um momento em que o uso da água está ainda mais em evidência, quando a ordem é lavar as mãos e a gente lembra que 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável no Brasil”, disse Gadaleta.

Ao longo dos diversos painéis do webinar, iniciativas para reutilização de resíduos da indústria, cases de sucesso no terceiro setor e das próprias empresas e ainda os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estiveram em evidência. Silmara Ferraresi, assessora da presidência da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, apresentou o exemplo dos cotonicultores que hoje recuperam nascentes no cerrado baiano, através da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). “Com investimento dos cotonicultores, o projeto recuperou 55 nascentes de água, diagnosticou outras 87 e identificou mais 210 para futuras ações de preservação, em dez municípios daquela região”, explicou.

Silmara Ferraresi destacou que a cotonicultura no Brasil é quase totalmente (92%) praticada sem uso de irrigação. “Ou seja, com água da chuva. E mais de 80% dela é certificada pelo programa ABR, que trata das boas práticas sustentáveis na fazenda e do qual constam 178 itens de verificação, auditados por empresas de terceira parte”, disse, ressaltando que, através do movimento Sou de Algodão, a entidade passou a comunicar para os demais elos da cadeia e para o consumidor final que o algodão brasileiro é uma fibra sustentável, democrática e inclusiva.

O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, falou sobre as pegadas do algodão desde a lavoura até o momento em que é entregue à algodoeira, e, em breve até a porta da fiação. A rastreabilidade da fibra é um compromisso da Abrapa, possível graças ao sistema que integra todas as informações sobre a produção da matéria-prima no país, o SAI. O sistema foca em identidade e rastreabilidade, com dados sobre origem, safra, classificação e sustentabilidade. Uma etiqueta de código de barras que segue em cada fardo funciona como um RG do algodão. “Entregamos todas essas informaçõespara que o comprador possa saber, exatamente, de onde veio aquele algodão e todas as suas caraterísticas”, diz Portocarrero.

De acordo com o diretor, até o final de 2020, a rastreabilidade deve chegar até as algodoeiras. “A partir daí, a fiação e, na sequência, a tecelagem vão somar essas informações às suas próprias certificações de rastreabilidade e entregarão à confecção o registro da história dessa cadeia produtiva. Estes, por sua vez, poderão fazer o mesmo, para levar ao consumidor final um produto 100% rastreável. Imaginar isso em 100% da cadeia deixa de ser um sonho para virar realidade”, diz. Portocarrero citou o posicionamento de grandes marcas e grifes internacionais que já se comprometeram publicamente a só consumir algodão comprovadamente sustentável, em um curto espaço de tempo. “Vamos dar ao consumidor final a oportunidade de conhecer a história daquela peça antes de tomar a decisão de comprá-la”, finalizou.

27.03.2020

Imprensa Abrapa

Catarina Guedes – Assessora de Imprensa

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